Minhas estórias

Oi, gente,

Esse blog foi criado para que meus amigos pudessem acompanhar minha aventura em Cornell. Digo aventura porque passar 4 meses e 8 dias fora de casa, sem o marido e sem o filho, sem os familiares e amigos, em uma cidade em outro país a cerca de 10.000 km de distância é mais do que o Indiana Jones poderia sonhar!

Só que quando voltei de Cornell, resolvi continuar registrando minhas estórias e reflexões. Tenho muitas coisas pra contar!
Comecei a perceber isso quando em minhas aulas, não importa qual o assunto, sempre tinha alguma experiência pra contar. Até num incêndio eu já estive! E às vezes me dá um comichão e tenho que sentar pra escrever e compartilhar minhas estórias. Adoro escrever. Já pensei em escrever um livro e publicar, mas vamos economizar papel e ficar por aqui mesmo.

Neste blog irei postar textos, fotos, vídeos, etc.

Escrevo em inglês e em português, pois compartilho esse blog também com pessoas que não falam português.

Um beijão!
Débora


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

POR QUE NÃO ACREDITO MAIS NO BRASIL

(TEXTO ESCRITO PARA A CADEIRA DE EPISTEMOLOGIA - PROF ANDRÉ HAGUETTE - 10/9/2009)
Primeiramente definirei conceitos. ‘Acreditar no Brasil’ significa acreditar que o Brasil um dia será um país justo. Por ‘país justo’, primeiramente, refiro-me a um país onde os direitos humanos são respeitados. Um país democrático, apesar da utopia do termo, no sentido que haja um governo para o povo que vise verdadeiramente o bem estar social. Um país onde os impostos pagos pelos cidadãos sejam canalizados para moradia, escolas, hospitais, segurança, transporte, lazer, saneamento, entre outras necessidades humanas básicas. Um país onde as transgressões sejam a exceção e não a regra e que essas sejam devidamente tratadas. Um país que dê oportunidade a todos igualmente e onde não haja concentração de renda – muito na mão de poucos e pouco na mão de muitos. Alguns dizem que o Brasil está mudando para melhor, mas temos índices sociais vergonhosos que só não vê quem não quer. É nisso que não acredito mais: que o Brasil possa, num futuro que eu possa ver, se tornar um país justo.
Nasci em 1964, no ano do golpe militar. Cresci ouvindo meu pai afirmar que enquanto os militares estivessem no poder, o Brasil não mudaria. Em 1984, ano da forjada ‘Diretas Já’, eu tinha 20 anos. Era cheia de esperanças e acreditava no meu país. Eu havia passado seis meses fora num programa de intercâmbio nos EUA e tinha certeza de que meu lugar era na minha pátria natal, apesar dos grandes desafios sociais, educacionais, políticos que tínhamos que enfrentar. Votei com orgulho na primeira eleição direta, apesar de meu candidato ter sido o tucano Mário Covas, pois na época não tinha maturidade nem entendimento para ser a anti-neo-liberal que me intitulo hoje. Derrotada nas urnas, presenciei o colapso Collor de Melo e vi mais uma vez nossa nação ser manipulada e enganada. Meu pai faleceu em 1989. Não chegou a vislumbrar nem de longe a mudança que esperava. Pelo contrário, decepcionou-se quando votei na Maria Luiza, pois se ele era contra os ‘milicos’, tanto mais contra os ‘comunistas’. A essas alturas, mais consciente politicamente, eu acreditava nos partidos de esquerda. Presenciei o boicote à primeira representante feminina do PT e me desiludi com o sistema político brasileiro. Frustrei-me por mim e por meu pai e há alguns anos decidi anular meu voto em todas as instâncias, pois não quero sentir-me culpada por mais enganos políticos a que nossa nação seja submetida. Minha única convicção política é ser anti-neo-liberal – só sei o que não sou.
Em 1996, aconteceu uma revolução interna em mim: minha conversão ao cristianismo evangélico. Achei que tinha finalmente encontrado a solução para os problemas brasileiros e por vários anos lutei pela igreja evangélica, pois acreditava que, através da ética cristã por ela ensinada, muitas mudanças poderiam ocorrer no Brasil, inclusive politicamente, pois se candidatos verdadeiramente cristãos fossem eleitos, as tão sonhadas mudanças ocorreriam. Cheguei a votar no Garotinho para presidente, só para presenciar mais um vexame (foi quando decidi parar de votar). No meio evangélico, minha decepção veio quando percebi que a ética protestante e o espírito capitalista (V. Max Weber) estavam acima da mensagem primitiva do evangelho e que os meus ‘irmãos’ estavam muito mais preocupados com as bênçãos de ordem de prosperidade material individual do que com uma justiça social que abrangesse a nação brasileira. Admito o ativismo das igrejas em ação social, mas a tática da instituição é no fundo proselitista e dogmática. A estratégia é, ao mostrar que são ‘abençoados por Deus’, arrebanhar as multidões. Quase me deixei levar quando percebi que não sou capitalista e anseio por um modelo diferente de governo, mais humano, menos mercantilista e que a igreja evangélica no formato de hoje se apropriou muito mais das idéias iluministas de progresso do que da mensagem original de Cristo, de quem basicamente só sobrou o nome. Religiosamente, continuo cristã e do evangelho, mas não da instituição religiosa.
Hoje resolvi fazer a minha parte e seguir o conselho musical de Michael Jackson: “Se você quiser fazer do mundo um lugar melhor, olhe para si e mude” . Tento ser uma boa cidadã, passar o que acredito para meu filho e para as pessoas ao meu redor. Profissionalmente, ensino inglês. Acredito que isso pode trazer ascensão cultural e social. Tento seguir as instruções de Cristo e não faço aos outros aquilo que não gostaria que fizessem a mim. Ajudo ao próximo como posso. Mas enquanto houver a pobreza que vejo nos sinais, assim como as invisíveis presentes na pobreza cultural do povo brasileiro (refiro-me à cultura enquanto instrução), realmente não acredito que na minha vida verei no Brasil o país justo que anseio.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Aquietai-vos e sabei que sou Deus

Gosto muito de escrever sobre aquilo que se passa comigo. Sempre uso essa desculpa para me safar de trabalhos domésticos: “Deus criou minhas mãos para eu escrever e não para cozinhar, lavar ou passar,” eu digo incessantemente, querendo me convencer e convencer os outros disso. Nem sempre consigo, mas é verdade.
Bem, recebi uma mensagem de um amigo falando sobre meu relacionamento com Deus e acabei dizendo que nós dois (eu e Deus) estávamos em silêncio há alguns anos. Quero explicar isso melhor.
Passei por alguns momentos de muitas perguntas sem respostas na minha vida espiritual, conforme a minha compreensão na época. Tive que tomar decisões contrárias ao rumo que estava tomando e não importa o quanto tenha buscado a Deus por uma direção, essa nunca chegou da forma como esperava. Optei pelo que minha razão mandou. Foram muitos meses de angústia e de sentimento de abandono. Eu, como legítima pentecostal que era, não conseguia mais ouvir a voz de Deus, outrora tão audível (literalmente – mas isso é outra história).
Um dia, na minha escola de inglês The Way to English, onde ensinava através de textos bíblicos, estava copiando a letra da música da semana, hábito que cultivei ao longo de todos os anos em que a escola funcionou. Havia escolhido aleatoriamente a música Be still da banda australiana Hillsongs, cujo refrão é o versículo homônimo a esse texto. Era um domingo e chorei muito, pois senti que aquele versículo se aplicava a mim naquele momento. Precisava de paz e de quietude. Minha alma estava angustiada.
Quando fui para a igreja, na hora do louvor a minha querida Pastora Doralice Alves, a Pretty Woman, como a chamo (Ô mulher linda!), começou a cantar uma música que falava a mesma coisa. Ela chamou à frente as pessoas que sentiam que Deus estaria lhes falando. Fui e chorei mais. Deus estava falando comigo, como há muito não percebia.
Na noite de segunda-feira, tive um insight enquanto dormia, o que acontece com frequência. Vinha-me à mente um sermão completo, uma extensão do versículo em questão, sobre aquietar o corpo, a alma e o espírito. Ilustrações sobre cada um dos ‘três pontos’, versículos afins, enfim, esse seria o tema de minha próxima pregação, quando alguém me chamasse, coisa que não acontecia há tempos. Passei o dia pensando sobre isso.
Na noite seguinte, sonhei com minha queridíssima Pastora Célia Almeida, minha inesquecível ‘mãe na fé’, como dizem nos meios evangélicos, que me embalou espiritualmente nos meus primeiros anos de fé cristã evangélica, com a ternura típica das progenitoras. No sonho, estávamos numa reunião de oração e ela levantava e dizia que eu traria a palavra, ao que freneticamente me neguei, dizendo que não tinha nada a transmitir ao grupo. Ela insistia, afirmando categoricamente que Deus havia me dado uma palavra. Lembrei-me do insight da noite anterior. Relutei, mas com a insistência, aceitei o desafio. Acordei-me antes de completar a tarefa, que aparentemente deveria ser feita em público, o que nunca aconteceu. Era a terceira vez em poucos dias que essa palavra viva de Deus chegava ao meu coração.
Porém, como o bom humor perpassa todas as minhas experiências, a quarta e definitiva vez que ouvi Deus transmitindo para mim essa palavra foi num ambiente inusitado: uma banca de revistas, uma daquelas espaçosas o suficiente para o freguês entrar e escolher livremente seus produtos. Tinham dois rapazes conversando ao meu lado. Porém, só nessa hora comecei a prestar atenção. Aparentemente, um dos dois havia se convertido a uma igreja evangélica recentemente. Por não se encaixar no perfil, o outro amigo não-crente duvidava :
- Você, evangélico? Hahahaha! Não acredito! E as farras? E a cachaça?
- Não, cara, agora eu quero é Deus.
- Quer dizer que aos domingos você, ao invés de encher a cara, vai para a igreja?
- Sim!
- Não acredito. Quer dizer que domingo passado você foi à igreja?
- Sim!
- Pois prove! O que foi que o pastor pregou?
- “Aquietai-vos e sabei que sou Deus!”
Saí da banca com a certeza que Deus havia falado comigo.
Desde então, tenho estado quieta. Em inglês, quieta (“quiet”) significa “em silêncio”. O texto em inglês, conforme a Nova Versão Internacional (NIV, em língua inglesa), adota o termo “still”, que quer dizer “parado, sem movimento”. Considero-me em outro momento da minha caminhada espiritual. Há tempos de falar e de calar, como disse o sábio. Esse é meu momento de calar. Não faço mais perguntas a Deus. Não espero respostas. Mas na minha quietude, a presença irrefutável do meu Criador, mesmo que seja em silêncio, fala alto, tão alto que, mesmo sem ouvi-lo, sei que está ali. Aquietei-me. Já sei que Ele é Deus.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Voltei! I'm back!

After 133 days away from home, I'm back. It's been a month and it's the first time I actually post in my blog again because of so much work and so much catching up to do.

The aftermath of my Cornell adventure.

Best part - I have to divide this into two parts. Academically and socially.

Of course, academically, the best part was my research itself. That's why I was there. I managed to read just about all the books I needed and then some. I've already written over 80 pages of my thesis and I also bought some books that I'm going to read here. I plan to finish writing the theoretical part no later than December so I can start the field work.

Socially, the best part was reuniting with my American family, the Schrocks, especially Laura. She was with me in Ithaca in May and then I came over to her place in July, a week before I left to Brazil. I got to meet all the family - Laura's husband and children, Jim's family and Mom and Dad. It was an unforgettable, historical day for me. We hadn't seen each other since 1989!





I loved meeting everyone, especially Kathy, Laura's daughter.


Another unforgettable moment was meeting with my old friend Kathy Ahlers. We went to NY together. It was fascinating! (see pictures on April postings)

The worst things was not being with my family. I also missed my friends a lot. The other bad part was not having a car. I definitely hate walking!

Everything else about my trip was awesome. It was worth every effort I had to make.

I guess I should thank God and CAPES for it!

Thank you for the people who followed my blog.

Love,
Débora

sábado, 2 de julho de 2011

Estórias engraçadas - Minhas trapalhadas 6

Aqui eu uso um celular pré-pago, muito ruim, por sinal, que me cobra até para discar, ou seja, se eu ligar para alguém e a pessoa não atender, eu pago mesmo assim! Pago para receber também, então não me liguem!!!

Bem, fui adicionar créditos outro dia e segui os passos: digitar o número do cartão, digitar meu telefone e esperar a confirmação do crédito. Mas ouvi a mensagem: "Impossível completar o processo." Fiquei com ódio e xinguei o telefone mil vezes. Fui à empresa e expliquei o problema. O funcionário pediu meu número para ver qual seria o problema. Mas eu não estava no sistema. Fiquei furiosa. Ele pediu meu nome e sobrenome e acabou descobrindo qual o problema: eu tinha dado o número do telefone errado!!!! Que vergonha! Só Deus sabe para quantas pessoas eu dei esse número errado!

Barbecue at Maplewood - Churrasco no Maplewood

Aqui onde estou morando é um condomínio que pertence a Cornell para servir a alunos ou professores visitantes, principalmente estrangeiros. É muito organizado e animado. Sempre tem atividades sociais, como sessões de cinema, passeios, etc. Semana passada houve um churrasco, que é um pouco diferente do Brasil. Aqui se faz churrasco de hamburguer, frango, linguiça, salsicha, and até marshmallow, mas nada de picanha ou maminha. Sem farofa, também. Mas foi legal, uma maneira de conhecer novas pessoas e de se socializar.

This place where I'm living belongs to Cornell and it is mainly to host visitors, especially foreigners. It's very organized and fun. There's always social activities, such as movies, short trips, etc. Last week there was a barbecue, which is a little different from Brazilian barbecues. Here they grill hamburguers, chicken, sausage, hot dogs, marshmallow, but no rumpsteak or top sirloin cap. No 'farofa', either (fried mandioca flour - typical Brazilian food). But it was cool, a nice way to meet new people and to socialize.






We met Fabiana (Brazil) e Cutchi (India).

Conhecemos a Fabiana (Brasil) e Cutchi(India).

Maroon 5 concert - O show do Maroon 5


Maroon 5 is my favorite band. I listen to them all the time. One day I was browsing on the internet and found out they were having a concert an hour away from Ithaca. I decided I couldn't miss it. So, Priscilla, my roommate, and I rented a car and drove out there. Two other Cornell girls from India, Poormina and Srinitya, joined us. We had a great time. Maroon 5 is more than ever my favorite band now!

Maroon 5 é a minha banda favorita. Escuto as músicas deles o tempo todo. Um dia eu vi na internet que eles iam fazer um show a uma hora de Ithaca. Decidque eu não podia perder isso. Então, eu e a Priscillaalugamos um carro e fomos. Duas outras garotas de Cornell, que são da Índia, Poormina e Srinitya, foram com a gente. Foi maravilhoso. Maroon 5 é mais do que nunca minha banda favorita!



______________________

The concert was in a beautiful golf course in Endicott, NY.

O show foi num campo de golfe super lindo em Endicott, NY.

_________________________________

Infelizmente não deu para bater boas fotos do show em si porque foi à noite. As fotos ficaram muito escuras.

Unfortunately the pictures of the concert itself were too dark because it was in the evening.

But I did find this you tube video someone shot there:
Mas achei um vídeo no youtube que alguém fez lá:

http://www.youtube.com/watch?v=Hqlb5klf76A

domingo, 26 de junho de 2011

A comida e eu - Food and I

Eu tenho um relacionamento estranho com comida. Enquanto a maioria das pessoas come por prazer, eu como porque preciso - é combustível para mim. Como não quero engordar, o que acontece com muita facilidade, decidi alguns anos atrás comer o que preciso e não o que quero. Claro que escolho comidas que gosto na hora das refeições mas eu escolho a comida em termos do seu valor nutricional. Então eu almoço proteína, carboidratos e vitaminas, e não carne, macarrão e salada. Estou esperando pelo dia em que a indústria alimentícia vai colocar no mercado aquelas pílulas que os astronautas levam para o espaço. Dá pra imaginar quanto tempo nós economizaríamos? Você almoçaria em 3 segundos! Também dá pra imaginar quanto nós economizaríamos se não tivéssemos que comer? Boa parte do meu orçamento é gasto com comida - isso é um absurdo. E amanhã literalmente estará no esgoto.

Ok, meus argumentos são bons, admita! Mas tudo isso cai por terra e eu completamente esqueço todo esse meu raciocínio e minhas teorias alimentares quando se fala em DONUTS! É a melhor comida do mundo inteiro e eu como donuts por PURO PRAZER. Eu sei que é AÇUCAR PURO, mas eu adoro! Que pena que não tem no Brasil! Então, enquanto estou aqui, eu como um donut por dia. E o Dunkin' Donuts é o melhor lugar do mundo! Então, brindemos aos DONUTS! Bon apetit!

______________________________________________________

I have a strange relationship with food. While most people eat for pleasure, I eat because I have to - it's fuel for me. Because I don't want to gain weight, which happens very easily, a few years ago I decided to eat what I need, not what I want. Of course I choose food I like when I have to eat but I think more of it in terms of the nutritional value of what I'm eating. So for lunch I have protein, carbohydrates and vitamins, not beef, noodles and salad. I'm waiting for the food industry to put pills on the market - like those astronauts take to space. Can you imagine how much time we would save? You'd have your lunch in 3 seconds! Also, can you imagine how much money we could save if we didn't have to eat? A big part of my budget is spent on food - that's absurd. Tomorrow it's literally flushed out of my system.

Ok, I have a good point and my arguments are good, admit it! But all that falls totally apart and I completely forget my reasoning and my food theories when it comes to DONUTS! It's the best food in the whole world and I eat them for PURE PLEASURE. I know it's PURE SUGAR, but I love it! Too bad they're not available in Brazil! So while I'm here, I take a donut a day. And Dunkin' Donuts is the best place ever! So, to DONUTS, cheers! Bon apetit!